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É sempre difícil dizer adeus a personagens que tanto gostamos, principalmente se já os acompanhamos há muito tempo. Em Lost, com o fim tão próximo, parece que todas as emoções estão à flor da pele e qualquer sensação é multiplicada por mil. Assistir ao 6.14 – The Candidate foi uma alegria e uma tristeza muito grande ao mesmo tempo. Alegria porque foi um episódio sensacional, com todos os elementos que um típico episódio de Lost tem: ação, suspense, mistério e emoção.

Tristeza porque perdemos de uma só vez três queridos personagens (quatro se você contar com o Frank): Sayid, Jin e Sun. Eu já sabia que este episódio teria morte de um personagem importante, mas não tinha idéia que seriam três de uma vez. Foi chocante, foi triste e foi maravilhoso. Claro que a tristeza impera, mas eu fiquei feliz pela forma que a morte deles foi contada. A história destes três personagens realmente tinha chegado ao fim e todos conseguiram a tão sonhada redenção.

Sayid morreu como um herói. Saiu daquele estado de zumbi, pensou rápido e salvou seus amigos. Sun e Jin se reencontraram, estavam felizes por estar juntos e assim morreram. Como Rose e Bernard disseram na season finale passada, o que importava é que eles estavam juntos. Ambas as cenas foram muito bem feitas, a atuação da Yunjin Kim e do Daniel Dae Kim foi impecável. O fim a la Titanic foi brilhante e realmente me dá um aperto no coração só de lembrar.

Lógico que, se servir de consolo, todos os três ainda estão vivos nos flashsideways.

Mas enfim, vamos ao episódio, começando pelos flashsideways. Jack oferece a Locke a oportunidade de ser um candidato para uma cirurgia experimental que poderá possivelmente curá-lo. Locke recusa e Jack, com sua infinita necessidade de consertar tudo e todos, trata de descobrir porque seu paciente disse não. Sua procura o leva a Bernard – que eu tenho certeza sabe de todo o esquema. O jeito que ele falou com Jack, suas expressões, só faltaram dizer “eu não posso te dar tudo de mão beijada, mas continue procurando que você vai achar alguma coisa. Bernard havia tratado Locke três anos antes e indicou Jack a procurar o outro homem que estava com Locke na hora do acidente: Anthony Cooper.

Mas eis que Anthony Cooper está em um estado vegetativo em uma casa de repouso e não pode ajudá-lo. Jack, então, volta ao hospital e encontra Locke, que acaba contando que esteve em um acidente de avião com seu pai, logo que John conseguiu tirar a licença de piloto. Cooper ficou em estado vegetativo e Locke acabou na cadeira de rodas. Por isso, John se culpa e recusa o tratamento que pode curá-lo, para se penitenciar por ter acabado com a vida de seu pai.

Os flashsideways, entretanto, tiveram várias metáforas e dicas sutis – ou não –  da vida deles na ilha. Houve até um momento em que Locke estava dormindo e começou a murmurar coisas como apertar o botão e até seu bilhete de suicídio para Jack: Eu queria que tivesse acreditado em mim.

Esta frase é repetida por Jack, quando Locke recusa sua ajuda, em uma inversão clara de papéis. Outro fato importante para atentar é que ambos reconhecem a inabilidade de esquecer algo e seguir em frente e Jack pede a Locke para fazê-lo primeiro, pois ele não consegue.

Pois bem, voltando pra ilha. As coisas estão frenéticas por lá. Aconteceu tanta coisa e tão rápido que eu tenho certeza que eu vou esquecer de um detalhe ou outro, mas o básico foi o seguinte: Widmore capturou todo mundo e os prendeu nas jaulas. Foi reforçado mais uma vez que a Kate não está na lista e, portanto, não é uma candidata. Mas quer saber, eu acho que isso tudo é para eles nos surpreenderem depois e a Kate acabar tendo um papel importante na finale.

Fake Locke leva Sayid e Jack para a ilha Hydra e lá – antes de ir resgatar o resto do povo – fala para Jack que ele poderia matar qualquer um deles quando ele quisesse, mas não o fez, e por isso eles devem confiar nele. Sayid desliga o gerador e nossa querida Fumaça ataca todos os capangas do Widmore enquanto Jack liberta os Losties.

Mais tarde, todos encontram com o Fake Locke no avião da Ajira, onde o Homem de Preto lhes diz que Widmore havia preparado o avião para explodir quando eles tentassem fugir. Claro que isso é apenas uma desculpa esfarrapada que fica clara quando, mais tarde, no submarino, Jack descobre que Fake Locke colocou a bomba em sua mochila.

No caminho para o submarino, Sawyer pede a Jack – que bateu o pé e disse que vai ficar na ilha – para não deixar o HdP entrar no submarino. Sawyer, Frank, Sun e Jin entram primeiro e rendem a tripulação sem problemas. Quando Sayid, Kate e Claire seguem logo atrás, os capangas do Widmore começam a atirar e Kate é atingida no ombro. Jack e Sayid a socorrem – logo depois de Jack jogar o Fake Locke no mar – e entram no submarino.

Aí que o negócio foi pro saco mesmo. Dentro do submarino, eles descobrem que o HdP trocou as mochilas e deu para Jack a que estava com uma bomba com um cronômetro já correndo. Só que quando eles descobrem isso, já era tarde demais, pois o submarino já estava a todo vapor, submerso.

Jack – claramente o novo Jacob – diz que nada vai acontecer, pra deixar o cronômetro zerar. Sawyer, que obviamente não confia nele depois do fiasco com a Jughead na season finale passada, segue o conselho de Sayid e puxa os dois fios ao mesmo tempo. O cronômetro pára por alguns segundos, mas depois volta a correr aceleradamente. Sayid, com toda a calma do mundo, vira pra Jack e diz que Desmond está num poço na ilha principal e que eles precisam resgatá-lo, pois se Fake Locke o queria morto, ele deve ser importante. Depois pega a bomba e sai correndo para o outro extremo do submarino até que BUM! Era uma vez o Sayid.

Daí em diante rola quase um remake do Titanic com a água entrando por tudo quando é canto. Frank toma uma portada na cara e desmaia, então eu imagino que ele já era também. Sun fica presa debaixo de algo pesado e todos lutam para libertá-la. Jack pega um tanque de oxigênio e dá para Hurley, pedindo que ele tire a Kate (quase desmaiada) de lá enquanto eles tiram a Sun. Sawyer acaba levando uma pancada na cabeça e desmaia. Jin diz a Jack para tirá-lo dali que ele vai ficar com a Sun até libertá-la. E daí em frente é tudo tão tenso e triste e eu já estava chorando por eles.

RIP Sun e Jin Kwon.

Jack consegue levar Sawyer até a praia e lá eles encontram com Kate e Hurley e todo mundo chorou e eu chorei e, meu deus, se esse episódio já foi assim, imagina a Series Finale! Haja Kleenex!

Corta para Fake Locke e Claire (que foi deixada para trás mais uma vez, tadinha) na doca onde o submarino estava atracado. Locke diz que o submarino afundou e Claire se desespera perguntando se todos estão mortos. Locke diz que não, nem todos. O que prova a teoria de que todos precisam estar mortos para ele ser libertado da ilha. Quando Claire pergunta o que eles vão fazer agora, Fake Locke diz que vai terminar o que ele começou.

Que Jacob os proteja.

Até semana que vem.

PS: Agora a pergunta que não quer calar: por onde andam Ben, Richard e Miles, hein?

PS²: Toda semana eu esqueço, mas se vocês tiverem Twitter, podem vir me dar um oi de vez em quando! O meu é @lucianamangas.

Tenho certeza que estou em minoria quando eu digo que o episódio “Everybody loves Hugo” não me empolgou. Antes que vocês joguem pedras, deixem-me explicar. Não é que tenha sido ruim. Pelo contrário, teve momentos muito bons. Mas foram só isso: momentos. Algumas cenas que eu pensei “Nossa, agora vai!” e não foi.

Acho que parte deste meu desapontamento vem da mesma sina que sofreu o 6×10 – The Package: veio logo depois de um episódio sensacional. Eu já sabia que o episódio que sucedesse o brilhante Happily Ever After da semana passada ia ter uma responsabilidade enorme de manter o mesmo nível de tudo, seja ritmo da trama, roteiro, atuação, enfim, tudo. E o episódio do Hurley simplesmente não conseguiu chegar lá. Eu assisti ao episódio ao vivo e acompanhei as discussões durante a exibição do mesmo nos fóruns e eu realmente não consegui entender toda a empolgação dos fãs. Sei lá, vai ver que sou só eu que penso assim.

Não quero chamar este episódio de filler porque ele realmente não foi isso. O filler da temporada foi o episódio da Kate. Mas mesmo assim, Everybody loves Hugo me passou esta sensação. Não um tapa-buraco exatamente, mas apenas uma ponte, assim como The Package.

Claro que avançamos na trama: A Ilana explodiu a la Arzt (o que foi MUITO legal), descobrimos o que são os temidos sussurros da ilha (alguém mais ficou meio, sei lá, desapontado com a explicação? Acho que eu fiquei porque eu esperava diferente do que eu já pensava), tivemos a tão esperada reunião dos dois grupos dos Losties e foi reafirmado que o Desmond é MUITO importante (mesmo parecendo um stalker/assassino nos flashsideways). Ah, e não posso deixar de mencionar as participações especiais de Michael e Libby, é claro.

Mas onde que o episódio nos deixou na trama?

Depois que a Ilana explodiu – que para mim foi uma das cenas mais legais do episódio, porque foi muito deja vu da morte do Arzt – Richard e o resto vão buscar mais dinamite no Black Rock para explodirem o avião. No entanto, Hurley – instruído por Michael – chega lá primeiro e explode o Black Rock, o que quase enlouquece o Richard. Michael lhe disse que se eles explodissem o avião, muita gente ia morrer e o culpado seria o Hurley. Então Hurley dá cabo da única arma que eles tinham e diz que o plano agora é ir conversar com o Fake Locke. Muito paz e amor da parte dele. Isso divide o grupo: Jack, Sun e Frank vão com o Hurley, enquanto Ben e Miles vão com Richard para Dharmaville tentar resgatar algumas granadas. O Jack, aliás, estava bem agradável neste episódio e não me incomodou em nenhum momento. Milagre.

Enquanto isso, Sayid leva Desmond para o Fake Locke, que leva o escocês para dar uma volta na ilha. O passeio deles termina em um poço, onde Fake Locke explica que é um dos pontos de concentração de energia eletromagnética da ilha. Durante a conversa, Locke lhe pergunta por que ele não está com medo e Desmond lhe responde com outra pergunta: para que ter medo? A conversa termina com Des no fundo do poço – literalmente – e a prova de que o Fake Locke tem pânico do Desmond e que Widmore realmente está certo em dizer que o escocês é a única esperança. Pelo menos foi o que eu entendi.

Michael revela o mistério dos sussurros da ilha: são as pessoas que morreram lá e não conseguiram seguir em frente. Whatever.

Enquanto isso, nos flashsideways, Hurley, o cara mais sortudo do mundo, encontra Libby por acaso em um restaurante. Só que ela é louca – literalmente, já que ela mora num hospício – e vem com um papo muito estranho de que eles já se conhecem. Hurley fica desapontado quando descobre que a mulher linda que está dando em cima dele é louca, mas Desmond está lá para salvar o dia e encorajá-lo a procurá-la novamente.

Libby conta que levava uma vida normal, quando um dia viu um comercial do Hurley na TV e desde então começou a se lembrar de uma outra vida, onde ela esteve em um acidente aéreo. Hurley acha que ela é louca até que ela o beija e ele começa a se lembrar de tudo também. Ah, o amor!

A última cena do episódio, entretanto, foi um tanto quanto intrigante. Desmond fica de tocaia na frente da escola em que Ben, Arzt e Locke trabalham até que o pobre John Locke, em sua cadeira de rodas, sai do prédio e tenta atravessar a rua. Aí sabe o que o Desmond faz, o louco? Ele atropela o Locke e vai embora! Como se a vida do John não fosse ferrada o suficiente!

Maaaas, eis que acontece uma coisa estranha nesta cena. Eu tive a impressão de que o close no rosto do Locke pós-acidente foi IDÊNTICO à cena quando o pai dele o empurrou janela abaixo em The Man From Tallahassee na terceira temporada. Poderia ser que esta é uma forma de o destino está se auto-corrigindo? Porque, como vocês devem lembrar, nesta realidade John e o pai aparentemente se dão bem, já que a Hellen queria convidá-lo para o casamento. Talvez Locke tinha que passar por esta experiência de quase-morte de qualquer forma.

Ou eu estou viajando e o Desmond só queria que Locke sentisse o que ele sentiu. Mesmo assim… foi tudo muito estranho.

Estão vendo o que eu quis dizer? Não é que o episódio tenha sido ruim. Ele teve seus momentos. E só.

Mas sinceramente, depois do fenomenal Happily Ever After seria muito difícil que um episódio do Hurley chegasse aos pés dele – sem nenhuma ofensa ao Hurley, é claro. Mas convenhamos que a maioria esmagadora dos episódios icônicos (tirando as season finales) são do Desmond, do Locke e do Jack.

 

 


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