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Review: Lost 6×17/18 – The End

Posted on: 26/05/2010


“I hope that somebody does for you what you just did for me” – John Locke (6×18 – The End – Part 2)

 

Seis temporadas. Cento e vinte e um episódios. Mas tudo tem um fim e todos nós sabíamos que Lost não duraria para sempre. A series finale “The End” dividiu opiniões como já era esperado. Eu ainda estou em cima do muro, pois teve muita coisa que eu gostei, mas também teve muita coisa que eu não gostei e passei os últimos dias pensando em vários fins alternativos que fariam mais sentido.

O episódio em si trouxe uma conclusão para as duas tramas da temporada: a ilha e os flashsideways. Na ilha, tivemos o final showdown com Jack e Locke que eu não tinha comentado na pré-review. Lembra que eu falei que o streaming que eu assisti no dia da finale estava péssimo? Então, eu tinha perdido várias cenas! Só descobri que a Kate atirou no Locke na segunda vez que eu assisti o episódio. Também não tinha visto a Kate e o Sawyer pularem para o mar nem o Miles e Richard consertando o avião.

Finalmente consegui entender a importância do Desmond, mas não o motivo pro Jacob trazê-lo para a ilha. Porque se a única forma de tornar o HdP mortal era desativando a luz da ilha, então Jacob provavelmente sabia que isso acarretaria a destruição da ilha, já que o Desmond era o único que poderia entrar lá e voltar para contar a história. Mas como Jacob é pior que o Yoda, como disse sabiamente o Hurley, os Losties tiveram que se virar nos trinta para descobrir isso.

Achei que o fato de Hurley ser o sucessor do Jack – que, aliás, teve o mandato mais curto da história da ilha, só pode! – foi muito legal e sinceramente, não tinha pessoa melhor para ser o protetor da ilha. E o Ben também se tornar o braço direito do Hurley foi sensacional. Eu realmente não esperava que o Ben fosse encontrar a redenção e este foi um fim muito bacana para o personagem, que no fim das contas, só queria se sentir importante e útil.

Já digeri um pouco mais o fato de o Jack e a Kate terem terminado juntos. Não gostei, mas aceitei e entendi a lógica dos produtores. Ainda acho que eles poderiam ter tomado um caminho diferente. Mas também, se pensarmos bem, todo o polígono amoroso meio que acabou junto de alguma forma. Na ilha, Sawyer e Kate foram embora juntos, então ficou aberto à interpretação. No meu mundinho, eles viveram felizes para sempre. A Kate e o Jack tiveram aquele último momento na ilha que, depois de assistir novamente – e sem ter que controlar a vontade de socar a tela do computador – foi mais de despedida do que qualquer outra coisa.

Lógico que isso é apenas a minha interpretação, mas eu entendi ali que eles estavam dizendo adeus. Jack sabia que ia morrer e a Kate sabia que eles nunca mais iam se ver. Depois de entender isso, eu pude aceitar e até achar bonita a cena. Já nos sideways, Jack e Juliet foram casados e tiveram um filho (que era um fofo!) e depois Sawyer e Juliet se reencontraram, foi aquela emoção, eu chorei e com certeza muita gente chorou também. E como todos nós já sabíamos, Jack e Kate terminam juntos nos sideways. Então todo mundo teve um cadinho para não sair tanta briga.

Não engoli ainda o fato de o Sayid ficar com a Shannon no final. O que eu entendi era que, em sua maioria, ali era um encontro de almas gêmeas, com pouquíssimas exceções. E se todos iam para o Paraíso, para a Luz ou que quer que seja que você acredita, então presume-se que você encontrará com seus entes queridos, certo? Então por que cargas d’água o Sayid não ficou com a Nadia se durante seis anos eles nos empurraram goela abaixo que ela era o amor da vida dele? E se até a Penny pôde estar lá, por que a pobre da Nadia não pôde? Não me conformo. Achei que isso foi um mega furo dos produtores.

Mas enfim, seguindo. No geral, eu gostei muito do episódio. Achei que a história da ilha foi sensacional e a última cena, com o Jack morrendo e o Vincent do lado, ainda me dá um nó na garganta só de lembrar. Foi bem feita e deu aquela sensação de um ciclo que se completa. Não só essa cena, como várias outras. Mas esta em especial – principalmente por ser a última cena do último episódio – foi muito emocionante. Porque justamente nesse momento (pelo menos para mim foi assim) foi que caiu a ficha de que Lost realmente estava chegando ao fim.

E não importa quantas pessoas me digam que é só um seriado, eu vou responder sempre que não é. Lost foi um marco na história da TV e na cibercultura. Por mais que tenha tido seus altos e baixos – eu mesma admito que quase abandonei a série algumas vezes – nós não podemos deixar de apreciar o valor cultural que a série trouxe. É simples assim. Você pode odiar Lost o quanto você quiser, mas isso não vai tirar o mérito do feito que a série alcançou.

Agora, voltando ao episódio, foi tudo muito legal e teria terminado de uma forma espetacular, se não tivesse sido por aquele final de todos indo para a luz. O que realmente me incomodou foi isso. Os flashsideways eram apenas um purgatório e um lugar onde todos iriam se encontrar quando estivesse prontos para irem em direção à luz.

Faça-me o favor, né?

Antes eles tivessem ido com a explicação de que realmente era uma realidade paralela e agora que todos se encontraram, viverão felizes para sempre. Aquela última cena (que eu não vou desmerecer totalmente porque foi um paralelo brilhante com o Jack morrendo na ilha) foi MUITO fim de novela das oito.

Outra possibilidade seria de que, depois que a bomba explodiu na season finale da 5ª temporada, eles apenas voltassem para o presente (como realmente aconteceu) e a gente seguisse só a história da ilha. Eu realmente acho que Darlton podiam ter tido umas aulinhas com o JJ Abrams e escolhido a opção de um universo paralelo como o JJ fez funcionar tão bem em Fringe. Teria sido tão mais legal do que um fim totalmente religioso.

 

Não que eu esteja desmerecendo o tom religioso da finale, porque eu sei que muita gente gostou. Mas sei lá, poderia ter sido diferente. Não precisava ter sido aquele fim brega da luz tomando conta da igreja e tudo mais. Não gostei. Não consigo aceitar isso. Para mim, a finale foi brilhante até a revelação de que os sideways eram apenas um purgatório.

Mas, fazer o que, né? A série acabou e não importa o quanto a gente gritar e espernear, o fim não vai mudar. Quanto à falta de respostas, isso nem me incomodou muito para falar a verdade. O que eu queria muito saber era o nome do HdP e isso eu descobri em um dos vídeos da Kristin dos Santos do E!. O nome dele é Samuel – que quer dizer filho de Deus. E também, correm boatos de que no Box da sexta temporada a finale vai ter de quinze a vinte minutos a mais de cenas que foram cortadas. Talvez aí tenha algumas respostas.

No mais, eu fiquei 90% satisfeita com o fim de Lost. Claro que ainda estou no período de luto pela minha série tão querida, mas a vida segue.

Mas eu duvido que alguma série nova consiga chegar ao nível de Lost. Pelo menos, não tão cedo. Lost vai ser para sempre uma série icônica, assim como poucas outras que a antecederam.

A fala do John Locke no início deste post reflete exatamente o que eu estou sentindo e eu espero que daqui a algum tempo outro fandom possa se sentir da mesma forma que eu me senti com Lost.

Eu só tenho a agradecer por seis anos de uma experiência audiovisual inesquecível. Eu aprendi muito, eu fiz muitos amigos e até me formei na faculdade com a ajuda de Lost (a minha monografia foi sobre a série).

Então, obrigada, Darlton.

Foi uma jornada e tanto.

@lucianamangas

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